Caderno do Aluno Filosofia 3ª série – Volume 1 Gabarito

Anderson Santos  |  AS  quarta-feira, junho 06, 2012  |   | 


Gabarito – Caderno do Aluno Filosofia 3ª série – Volume 1
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Ideias que as pessoas têm da Filosofia
Páginas 3-4
1. Resposta pessoal. O objetivo é revelar imagens que o estudante associa às profissões.
2. É provável que a escolha se dê pela aparência, por associação com estilos adotados por personalidades conhecidas, enfim, por critérios pouco objetivos e baseados no senso comum, na mera opinião ou palpite. A ideia é mostrar que, a rigor, se trata de uma forma de preconceito, já que não há dados suficientes para determinar a profissão das pessoas representadas. Além disso, o objetivo desta pergunta é também evidenciar que dificilmente alguém atribuirá a essas pessoas a profissão de filósofo ou filósofa. Primeiro porque esta profissão não faz parte do leque de possibilidades vislumbradas pelos adolescentes, mesmo porque não é das mais prestigiadas pela mídia. Na verdade, talvez até se surpreendam com a ideia de que a Filosofia também possa ser uma atividade profissional. Segundo, porque é possível que os alunos tenham uma imagem estereotipada do que seja um filósofo (homem, velho, de barba, usando óculos etc.) e que este não se enquadre nas figuras representadas. De todo modo, trata-se de um tipo de preconceito, e é importante que isso seja explicitado e debatido com os alunos.
3. Novamente é grande a probabilidade de que a resposta se fundamente no senso comum e em alguma forma de preconceito. Caso os alunos tenham dificuldade para escolher, é importante que o professor insista para que o façam, a fim de que, posteriormente, possam discutir os critérios utilizados. É possível que a escolha recaia sobre Sócrates, representado na pintura do francês Jacques-Louis
4. Esta é uma discussão aberta, cujo objetivo é ajudar o aluno a perceber que, por vezes, julgamos pelas aparências, sem ter efetivo conhecimento do assunto em pauta, e que a atitude filosófica requer que sejamos mais exigentes e críticos em relação ao conhecimento que temos das coisas e ao julgamento que fazemos delas. David, talvez por já conhecerem a referida obra, ou por julgarem que Sócrates se assemelha ao estereótipo do filósofo que eles possuem. Seja como for, há um fértil material para o debate.
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 1
O PRECONCEITO EM RELAÇÃO À FILOSOFIA
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Páginas 4-5
1. Esta é uma questão aberta, que visa garantir um espaço para que os alunos falem e debatam com liberdade sobre as diferentes experiências de preconceitos por eles vivenciadas.
2. Espera-se que reconheçam a existência, neles próprios, de preconceito em relação à Filosofia e que discutam entre si, sob a sua coordenação, as razões e as consequências de tal preconceito. Uma delas, por exemplo, seria afastá-los do contato com a Filosofia.
Páginas 5-6
Algumas respostas que podem aparecer:
1. • Adjetivos positivos: bela; crítica; importante; profunda; interessante etc.
• Adjetivos negativos: difícil; inútil; abstrata; chata; cansativa; monótona; complicada etc.
2. • A Filosofia como “filosofia de vida”: é o jeito de pensar de cada um. Cada pessoa tem a sua filosofia.
• A Filosofia é uma coisa muito difícil, própria de pessoas muito inteligentes.
• Filosofia é a arte de pensar e questionar.
• Não sei.
3. • Não serve para nada.
• Ensina a pensar.
• Ensina o pensamento dos filósofos.
4. Resposta pessoal. O objetivo é que o aluno expresse a ideia que tem da atividade profissional de um filósofo. Você pode, depois, esclarecer quais os campos em que a pessoa formada em Filosofia pode atuar, como a educação, a pesquisa acadêmica, o
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jornalismo etc. Quanto à segunda parte da pergunta, visa introduzir o tema da reflexão como ingrediente necessário do filosofar. Para filosofar, portanto, a pessoa precisa refletir (o tipo de reflexão que caracteriza a Filosofia será abordado mais adiante). E isso é algo que todas as pessoas podem fazer.
Página 6
1. Resposta pessoal. O objetivo é estimular os alunos a analisar criticamente as respostas obtidas.
Tales de Mileto: o distraído
Páginas 7- 9
1. Sim, pelo menos no que se refere à primeira anedota. Isso porque, como ficou demonstrado pelo texto, a ideia de uma pessoa desligada e desinteressada dos problemas concretos do cotidiano parece não corresponder à verdade sobre Tales.
2. Não, porque, ao filosofar, ele mostrava preocupação com questões de astronomia e de cosmologia (por exemplo, a pergunta sobre qual elemento dá origem a todas as coisas), até sem dar importância se isso lhe traria lucros ou riquezas materiais. Aliás, sendo um comerciante bem-sucedido, Tales não precisava mesmo se preocupar muito com isso. Além disso, a filosofia de Tales parecia inútil porque, para a maioria das pessoas, os temas que ele investigava aparentava não ter nenhuma relevância.
3. Resposta pessoal.
4. Resposta pessoal. Se for possível, pode-se introduzir a discussão sobre as razões políticas que podem estar por trás da hostilidade em relação à Filosofia. Por exemplo, o receio de que as pessoas passem a pensar mais crítica e sistematicamente.
Páginas 9-12
1. a) É provável que muitos respondam que a denominação de pré-socráticos se deva ao fato de estes filósofos terem vivido antes de Sócrates. Com Sócrates e os sofistas inaugura-
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se uma nova temática na Filosofia: o homem, a ética e a política, que não havia sido objeto da preocupação dos pré-socráticos.
b) Porque, segundo Aristóteles, ele foi o primeiro a dar uma resposta racional, isto é, usou uma demonstração lógica e sem recorrer aos mitos para a pergunta que mais incomodava os pensadores de seu tempo: “Qual era o elemento primordial que dava origem a todas as coisas?” A resposta por ele encontrada foi a água. Alguns dos argumentos racionais empregados por Tales podem ser encontrados no texto “Tales de Mileto: o distraído”, apresentado no Caderno do Aluno.
c) O objetivo desta pergunta é estimular a ampliação do estudo sobre os pré-socráticos, o que pode ser feito com mais tempo e profundidade, dependendo dos objetivos do professor e do interesse da sala. As indicações a seguir são demasiadamente simplificadas, servindo apenas para ilustrar o caráter racional das respostas encontradas por alguns dos pré- socráticos para a pergunta sobre o elemento primordial e sobre a questão do movimento versus estabilidade. Carecem, portanto, de estudos complementares e aprofundamento. Respostas de outros pré-socráticos: Anaximandro de Mileto (século VI a.C., Turquia): o “ápeiron”; Anaxímenes de Mileto (século VI a.C., Turquia): o “ar”; Pitágoras de Samos (século VI a.C., Grécia): o número; Zenon de Eleia (século V a.C., Itália): o ser é uno e imóvel; Xenófanes de Cólofon (séculos V e VI a.C., Turquia): critica o antropomorfismo da religião grega e introduz uma concepção de deus supremo – o Uno é Deus; Parmênides de Eleia (séculos V e VI a.C., Itália): o ser é uno, eterno, imóvel; nega o movimento e a mudança; distingue verdade (alétheia) e opinião (doxa); Heráclito de Éfeso (séculos VI e V a.C., Turquia): tudo é movimento e transformação; o ser é devir; a ele se atribui a afirmação: “Não podemos nos banhar duas vezes no mesmo rio, porque tanto suas águas quanto nós nunca somos os mesmos”; Empédocles de Agrigento (século V a.C., Sicília): tenta sintetizar Parmênides e Heráclito, afirmando a existência de quatro raízes ou elementos primordiais: fogo, terra, água e ar, que se combinam diferentemente pela ação de duas forças opostas: amor e ódio; Demócrito de Abdera (séculos V e IV a.C., Grécia): a realidade é composta de átomos imutáveis de cuja combinação surgem o mundo e os diversos seres e corpos; Anaxágoras de Clazómenes (séculos IV-III a.C., Turquia): a causa de tudo é o Nóus
d) O quadro deve ser preenchido com informações presentes na resposta anterior. O objetivo é organizar o registro dessas informações em um quadro, para facilitar a localização do filósofo e suas ideias. .
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Sócrates: aquele que vive nas nuvens
Página 12
1. Resposta pessoal. O objetivo não é propriamente que o aluno responda, mas motivá-lo ao estudo de Sócrates, permitindo a ele experimentar a situação vivida pelo filósofo, ao ser ridicularizado na comédia As nuvens, de Aristófanes, que o retrata como preocupado com questões sem a menor relevância ou utilidade.
2. Resposta pessoal, com o mesmo objetivo da anterior.
Páginas 12-14
1. Resposta pessoal. Podem ser uma forma de propagação de preconceitos, mas também veículos de crítica aos costumes, às leis, às instituições etc.
2. São importantes, porque constituem canais de expressão do pensamento, da opinião e requerem um ambiente de liberdade. Nesse sentido, contribuem para o fortalecimento da democracia, apesar de isso depender do uso social que se faça dessas expressões. São importantes porque ampliam formas de pensamento e de expressão.
3. Muitos desses programas, a exemplo das comédias, valem-se do humor para criticar os costumes e as instituições atuais. Exs.: Casseta & Planeta, Pânico etc. Muitas vezes a crítica vai além dos costumes e das instituições e acabam expondo pessoas ao ridículo pelos mais diferentes motivos. Páginas 15-16
1. A comédia foi uma forma de representação teatral que, ao lado da tragédia, teve grande desenvolvimento no período clássico da Grécia Antiga. Nela eram criticados e ridicularizados os costumes, as instituições, os políticos e até os filósofos, como aconteceu com Sócrates na obra As nuvens, de Aristófanes. Ao contrário da tragédia, que usa a linguagem lírica e bem elaborada, em geral na comédia a linguagem é insolente, abusada e, por vezes, rude. Alguns dos principais comediógrafos e algumas de suas obras:
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Aristófanes: As nuvens; As vespas; A paz; Os pássaros; A greve do sexo (ou Lisístrata); Só para mulheres (ou Tesmoforiazusas); As rãs; Um deus chamado dinheiro. Cratino: A garrafa. Êupolis: Os aduladores.
2. Num certo sentido, sim, porque é uma imagem que em grande parte não corresponde à realidade de Sócrates e de sua filosofia. No entanto, essa imagem revela, também, a opinião corrente dos atenienses sobre os filósofos em geral, opinião esta fundamentada em um conhecimento muito superficial da atividade por eles desenvolvida e, portanto, igualmente preconceituosa.
3. Era uma democracia direta e escravista, na qual os cidadãos podiam participar diretamente das decisões políticas, comparecendo e fazendo uso da palavra nas assembleias. Eram considerados cidadãos, porém apenas os homens adultos, livres e nascidos em Atenas, o que correspondia a cerca de 10% da população. Mulheres, escravos, estrangeiros e crianças não tinham direito à cidadania. No Brasil, temos uma democracia representativa, em que os cidadãos elegem representantes (vereadores, deputados estaduais e federais e senadores) para que estes tomem as decisões políticas em seu nome. Em compensação, todos os brasileiros, sem distinção de sexo, raça ou classe social, são considerados cidadãos, pelo menos perante a lei.
4. Trata-se de um quadro sinótico que mereceria ser aprofundado e ampliado.
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SSooffiissttaass
Sócrates dizia: “Sei que nada sei”; condenava a cobrança praticada pelos sofistas e filosofava com as pessoas gratuitamente; valia-se do diálogo (dialética) como método de ensino e de filosofar; buscava a verdade incansavelmente; não se contentava com as opiniões particulares e exigia o saber verdadeiro (episteme
Preocupavam-se fundamentalmente com a ).
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Apresentavam-se como sábios, isto é, pessoas entendidas em diversos assuntos, especialmente na técnica da , isto é, o princípio que dá origem a todas as coisas, obtendo respostas diferentes para esta indagação; considerados os fundadores da Filosofia por buscarem explicações racionais (não míticas) para suas indagações; eram também astrônomos, matemáticos, geômetras, físicos.
retórica; cobravam pelos ensinamentos que ministravam; eram céticos em relação à possibilidade de conhecer a verdade universal; contentavam-se com a opinião (doxa).
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A morte de Sócrates
Páginas 16-17
1. Resposta pessoal. O objetivo é estimular a continuidade do estudo sobre Sócrates, agora abordando o “Sei que nada sei”. A resposta é: “sabendo que nada se sabe”. Como os demais, embora nada saibam, pensam saber alguma coisa, a pessoa que sabe que não sabe é pelo menos nesse aspecto mais sábia que as outras.
Página 18
O objetivo é que o aluno perceba que, muitas vezes, existem razões políticas por trás da crítica e das objeções à Filosofia. Essa percepção pode ser aguçada com perguntas do tipo: “Se a Filosofia é busca exigente da verdade, como fazia Sócrates, a quem interessa que o povo não tenha acesso a ela?”; “Do ponto de vista político, quem tem motivos para temer a popularização ou a democratização da Filosofia?”; “A quem interessa que o povo seja ignorante de Filosofia?”; “Por que o autor manifesta preocupação com a doutrinação marxista e não com outra forma de doutrinação?”. Página 19
1. Resposta pessoal. Caso os alunos tenham algum impedimento, alguma dificuldade, para realizar esta pesquisa, os professores poderão planejar uma atividade na escola, no laboratório de informática ou na biblioteca, para uma busca compartilhada em subgrupos de trabalho.
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Página 21
1. a) Resposta pessoal. O importante neste exercício é fazer uma mediação capaz de levar os alunos a investigar suas memórias, suas representações, seus saberes prévios sobre os termos destacados.
b) Resposta pessoal. Trata-se de uma pergunta retórica, cuja resposta é afirmativa e será aprofundada com as atividades seguintes.
c) Resposta pessoal. Por exemplo: Aquele governo é autoritário; As medidas adotadas não trouxeram mudanças substanciais; O homem é um animal político; É necessário haver mais ética na política; A verdade é sempre preferível à mentira; O Estado existe para garantir o bem comum; A função da ideologia é manter o povo na alienação etc.
Páginas 22-25
1. Resposta pessoal. Podem aparecer, por exemplo, respostas que se atenham ao sentido literal dos ditados, ou que avancem para uma tentativa de interpretação, procurando identificar o significado subjacente a eles. Nesse caso, é possível que surjam ideias como as de conformismo, comodismo, ameaça, intimidação, autoritarismo etc. É importante que os alunos percebam que, em geral, os ditados são empregados espontaneamente, no senso comum, sem que as pessoas parem para pensar sobre seu significado mais profundo, o que exigiria o exercício do senso crítico, ou do bom senso.
2. a) A inversão explicita o significado oculto dos ditados, seu possível caráter ideológico, provocando sua desmistificação ou sua ressignificação.
b) Foi necessário a ele refletir criticamente sobre os ditados para perceber seu sentido mais profundo e explicitá-lo por meio da música. Num certo sentido, foi preciso filosofar.
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 2
FILOSOFIA: DEFINIÇÃO E IMPORTÂNCIA PARA OEXERCÍCIO DA CIDADANIA
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c) O conceito de senso comum aplica-se à interpretação comum dos ditados, tal como eles são espontaneamente empregados no dia a dia. O conceito de bom senso refere-se à interpretação crítica desses ditados, mediante um processo de questionamento e reflexão que permite compreender seu significado mais implícito e superar a interpretação do senso comum.
Página 25
1. A orientação para esta pesquisa deve incluir:
a) leitura atenta do poema, com destaques dos versos que revelam pensamentos do operário sobre sua condição;
b) nestes pensamentos, identificar senso comum, ou seja, constatações sobre sua experiência;
c) identificação de expressões de bom senso que sugerem questionamento sobre exploração vivenciada por ele.
Filósofos e “filósofos”
Página 27
1. Resposta pessoal. O objetivo é fazer um paralelo com a ideia que será desenvolvida adiante, de que todos os homens são “filósofos”. Espera-se que o aluno perceba que, assim como qualquer pessoa com certo grau de conhecimento sobre o assunto é capaz de analisar uma partida de futebol (ao nível do senso comum), mesmo não sendo profissional da área, assim também qualquer pessoa pode, de algum modo, filosofar, ainda que não seja filósofo profissional ou especialista.
2. Significa que o autor pretende dar a ela um significado particular, distinto daquele associado à palavra sem as aspas.
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Páginas 26-28
1. a) O “filósofo”, não especialista, é aquele que pratica a filosofia no nível do senso comum, pois ela está presente na linguagem, na religião, nas crenças, no modo de pensar e agir, enfim, no cotidiano das pessoas.
O filósofo especialista:
● pensa, reflete, raciocina, observando mais cuidadosamente as regras da lógica e os procedimentos metodológicos que utiliza;
● conhece a história do pensamento, isto é, a história da Filosofia;
● é capaz de analisar os problemas de seu tempo à luz da contribuição dos filósofos do passado que já se debruçaram sobre eles.
b) Combater e destruir o preconceito de que a Filosofia é uma atividade muito difícil e restrita a uma minoria privilegiada.
c) Porque contribui para manter o povo – as pessoas simples – afastado do contato com a Filosofia e com o exercício de filosofar. Assim, essas pessoas deixam de ter acesso a um conjunto de instrumentos culturais (conceitos, teorias, métodos de pensar) que lhes seriam da maior importância para a compreensão crítica e a transformação da realidade em que vivem.
2. Resposta pessoal, mas o aluno deve responder afirmativamente. O argumento é que, sendo a escola pública massivamente frequentada por pessoas oriundas das camadas populares, a presença da Filosofia no currículo pode ser uma forma eficaz de viabilizar a aproximação e o avanço mencionados.
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Páginas 28-29
Esta passagem já foi detalhadamente explicada no texto “Todos os homens são ‘filósofos’”. O mais importante é a concepção de que todos os homens são capazes de refletir sobre a própria experiência.
A Filosofia como amor pelo saber
Página 29
1. Resposta pessoal. É importante que o aluno expresse o que pensa sobre essa afirmação, mesmo que encontre alguma dificuldade para entender seu significado. O tema será retomado adiante.
2. Resposta pessoal. A ideia é tentar saber o que foi assimilado até o momento e o quanto o aluno conseguiu avançar em relação à compreensão que tinha da Filosofia no início do Ensino Médio.
3. Resposta pessoal. No entanto o aluno deve estabelecer alguma distinção entre esses dois níveis de conhecimento.
Páginas 29-31
1. No sentido de que, como a Filosofia é a busca do saber verdadeiro, praticá-la requer reconhecer-se como ignorante, ou seja, como não possuidor desse saber (afinal, ninguém busca o que julga já possuir) e, ao mesmo tempo, desejar esse saber a ponto de se dispor a procurá-lo. Em outras palavras, a sabedoria é a condição daquele que já possui o saber e, por isso, não sente necessidade de buscá-lo. É o caso dos deuses. Por isso, os deuses não filosofam. Os ignorantes, por sua vez, embora nada saibam, julgam saber o suficiente e, por isso, não anseiam por saber mais. Logo, também não filosofam. Daí porque a Filosofia esteja entre a sabedoria e a ignorância.
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2. O philosopho é o amante do saber (sophia), enquanto o philodoxo é o amante da opinião (doxa
3. Resposta pessoal. Mas o aluno deve fazer uma autocrítica sobre a atitude que nele predomina. ). Assim, o filósofo é o que busca o saber verdadeiro, elaborado, crítico, bem fundamentado, enquanto o filodoxo contenta-se com o saber superficial, fundado apenas na opinião, no “achismo”.
A Filosofia como reflexão
Páginas 31-32
1. Refletir não é o mesmo que pensar. O pensamento é um ato corriqueiro, singelo, espontâneo, que realizamos descompromissadamente a todo instante, até mesmo sem perceber. A reflexão, por sua vez, é uma atitude mais consciente, mais comprometida, que implica pensar mais profundamente sobre determinado assunto, repensá-lo, problematizá- -lo, submetendo-o à dúvida, à crítica, à análise, buscando seu verdadeiro significado.
2. Resposta pessoal. É possível que o aluno aponte para a ideia de que refletir é devanear, contemplar, “viajar”, como se diz popularmente, meditar descompromissadamente sobre algo. É essa ideia de reflexão que se tentará superar mais adiante, numa abordagem sobre a noção de reflexão filosófica.
Páginas 32-34
1. Significa que a reflexão, para ser filosófica, deve satisfazer, ao mesmo tempo, a pelo menos três exigências:
• ser radical
• ser , isto é, analisar em profundidade o problema em questão, buscando chegar às suas raízes, aos seus fundamentos;
rigorosa
• ser , ou seja, proceder com coerência, de forma sistemática, segundo um método bem definido, para propiciar conclusões válidas e bem fundamentadas;
de conjunto, isto é, tomar o objeto em questão, não de forma isolada e abstrata, mas numa perspectiva de totalidade, ou seja, levando em consideração os diversos fatores que, num dado contexto, o determinam e condicionam.
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2. Espera-se que o aluno responda que todos podem filosofar, desde que empreendam uma reflexão radical, rigorosa e de conjunto sobre os problemas da realidade. E todos têm condições de aprender a fazê-lo.
Páginas 34-35
1. Espera-se que os alunos sejam capazes de criticar a noção utilitarista e imediatista de que a Filosofia não serve para nada e de perceber sua importância para a formação crítica das pessoas e para o exercício da cidadania.
2. Resposta pessoal. No entanto, a resposta do aluno deve ser afirmativa, além de apresentar argumentos consistentes em favor desta resposta. Por exemplo: é importante estudar Filosofia na escola porque esta é uma forma de democratizar o acesso a ela.
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O homem: um ser entre os demais seres da natureza
Páginas 37-38
1. e 2. Resposta pessoal. As respostas para as duas perguntas que orientam a reflexão contemplam necessariamente a diversidade dos pensamentos dos alunos. Não podem ser antecipadas, mas o importante é que se conduza a reflexão de forma a mostrar que toda afirmação deve ser apoiada em argumentos, ainda que hipotéticos.
Páginas 39-40
1. Os dois autores trazem a ideia de que nossa natureza contempla a existência de um corpo com o qual sofremos e nos relacionamos com os demais seres da natureza.
2. A grande diferença está no fato de que Pascal acrescenta, em sua argumentação, a ideia de que, juntamente com a consciência de nosso corpo, deparamo-nos com a consciência de que nada somos no conjunto da natureza. Observação:
3. Resposta pessoal. Depende da síntese de cada aluno. É preciso acompanhar as sínteses de cada grupo, questionando respostas incompletas ou ideias equivocadas. é muito importante a lembrança de que as respostas dos alunos são hipóteses de conhecimento e, portanto, merecem ser consideradas e problematizadas, sem que se assumam as respostas deste gabarito como única forma correta.
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 3
A CONDIÇÃO ANIMAL COMO PONTO INICIAL NO PROCESSO DE COMPREENSÃO SOBRE O HOMEM
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Página 41
Os desafios associados ao fato de termos um corpo são prazerosos, e dolorosos também. Ter um corpo exige alimentá-lo, e a fome é um processo doloroso, e vivemos uma sensação de prazer quando saciamos a fome. Da mesma forma, várias outras necessidades de nosso corpo implicam dor e prazer. A saúde é uma exigência para o bem-estar de nosso corpo. A satisfação sexual e o desejo de reprodução podem ser citados como desafios impostos pelo nosso corpo também. Movidos por esse desafio de satisfação de nossa sexualidade, procuramos parceiros nos quais confiar e com quem compartilhar amorosamente.
O fato de termos um corpo nos traz ainda o desafio de compartilhar espaços, o que vem-se tornando cada vez mais complexo, sobretudo nos grandes centros urbanos.
Aspectos sociais
Página 41
O fato de termos um corpo, em qualquer contexto cultural, implica para nós necessidades em termos de espaço, em primeiro lugar. Em segundo lugar, nosso corpo exige soluções em termos de saúde que incluem garantir alimentação e moradia adequadas para todos os habitantes do planeta.
Somente esses dois aspectos já exigem das sociedades muito esforço para propiciar a convivência em diferentes espaços.
Nossa sociedade, quer seja em termos de Brasil, quer seja do planeta Terra, ainda enfrenta o dilema de atender a todos da melhor maneira possível. Continentes como a África representam enorme desafio para a busca de soluções em termos de moradia, educação e saúde.
Tecnológica e cientificamente, muito já foi feito em termos de habitarmos desertos ou de superarmos situações adversas do clima, porém muito há por se fazer na direção de garantir condições materiais para que os seres humanos superem extremas carências relativas à saúde e à ocupação de espaços urbanos com dignidade.
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Comunicação sem palavras
Página 42
1. Resposta pessoal. Mais uma vez, uma resposta aberta que exige a atenção dos professores, quando não para cada trabalho individual, para sínteses em grupo.
2. Resposta pessoal. Para esta apresentação, é importante uma mediação que organize as falas, que chame a atenção para a necessidade de escutas atentas e para que os questionamentos possam ajudar a ampliar a compreensão dos temas centrais debatidos.
A língua e os saberes coletivos
Página 43
Professor: o texto reproduzido a seguir consta no Caderno do Professor e pode ser utilizado como recurso para aprofundar a discussão.
Nesta hipótese, ainda que o extraterrestre tenha entendido que se está tentando ensinar para ele uma palavra da nossa língua, e, com muito boa vontade, ele se coloque à disposição para aprender, temos as seguintes possibilidades diante das prováveis soluções para explicar o significado de 'caneta'.
Ele poderia considerar que se trata de um objeto adorado pelos terráqueos; como em geral usamos gestos e apontamos objetos que queremos nomear e apresentar, ele poderia achar que a palavra ‘caneta’ seja o ato de apontar alguma coisa. Ou então, ele poderia achar que ‘caneta’ é o nome do material de que ela é feita, por exemplo, o plástico. Ou, então, que ‘caneta’ é o nome da forma que a caneta tem, por exemplo, um cilindro.
Ou, ainda, que ‘caneta’ é a maneira de designar um ponto no espaço. Ou ele poderia achar que o que está sendo apontado não é o que está perto do dedo, mas o que se encontra na
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 4
A LINGUAGEM E A LÍNGUA COMO CARACTERÍSTICAS QUE IDENTIFICAM A ESPÉCIE HUMANA
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direção oposta à ponta do dedo. Ou, ainda, que ‘caneta’ é o nome de uma dança que consiste em apontar algo e insistir num mesmo som: 'caneta’..., ‘caneta!’, ‘ca-ne-ta’...
As possibilidades de interpretação do extraterrestre são virtualmente infinitas.
O que é certo é que, se no planeta dele houvesse um objeto como uma caneta, instrumento que lá também serviria para escrever, nesse caso seria mais provável que ele entendesse o significado da palavra.
Com esta hipótese, concluímos:
• o significado de uma palavra não é dado pela observação do objeto em termos de suas linhas, suas cores, seu material;
• o significado de uma palavra depende da familiaridade que temos com certos objetos, conceitos, gestos e maneiras de falar;
• a língua está muito mais ligada a uma forma de vida do que à operação de representar objetos ou experiências por meio de sons ou da escrita.
Pensamos, falamos, lemos e escrevemos as palavras que herdamos como seres nascidos
em tempo e espaço determinados, em meio a saberes coletivos consolidados. Herdamos
a língua com as palavras já enredadas em significados. É com essas palavras, com essa herança que é a língua, que abarca os saberes coletivos de nosso grupo cultural e o universo de significados por ele produzidos, que construímos nossa arte, nossa expressão escrita e falada, nosso modo de ler e dizer o mundo.”
1. Resposta pessoal. Os grupos devem ser orientados a criar soluções para uma comunicação sem palavras. Os professores podem observar neste trabalho não apenas o enfrentamento da tarefa que cada aluno deve assumir, mas também habilidades psicossociais: respeito ao outro, negociação, fala oportuna.
2. a) Resposta pessoal: É importante a autorreflexão sobre dificuldades. O professor pode auxiliar questionando os alunos, tomando por base as dificuldades por ele percebidas no processo.
b) Resposta pessoal. A mediação dos professores deve pautar-se por classificar as dificuldades, agrupando aquelas que se aproximam, para orientar a superação destas. As dificuldades que não puderem ser agrupadas serão tratadas isoladamente, para que os alunos possam identificar caminhos para o enfrentamento das próprias dificuldades.
Espera-se que o aluno chegue às seguintes conclusões:
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● o significado de uma palavra não é dado pela observação do objeto em termos de suas linhas, suas cores, seu material;
● o significado de uma palavra depende da familiaridade que temos com certos objetos, conceitos, gestos e maneiras de falar;
● a língua está muito mais ligada a uma forma de vida do que à operação de representar
objetos ou experiências por meio de sons ou da escrita.
.
Páginas 43-45
1. É importante orientar os alunos para não confundirem o diálogo Fedro, sobre a alma, o amor e a linguagem, com outro diálogo de Platão, o Fedon, sobre a morte e o conhecimento.
LLíínngguuaa ccoommoo vveenneennoo
LLíínngguuaa ccoommoo rreemmééddiioo
LLíínngguuaa ccoommoo ccoossmmééttiiccoo
Agressões entre irmãos
Ensinamentos
Bons conselhos
Psicoterapias
Bajulações
Falsos elogios
Omissões
2. É interessante que os alunos possam ler o diálogo completo para identificar as circunstâncias com as quais Platão contextualiza o tema “língua”. Se apresentarem dificuldades para encontrar o diálogo, planeje um momento para a leitura em sala de aula de trechos do texto.
3. A língua como veneno é relativa ao discurso irônico, agressivo, provocador de afastamentos e rupturas, provocador de discórdias e mágoas. A reflexão filosófica pode ajudar a questionar e contextualizar as razões para a discórdia e para agressões por palavras. Pode ajudar a compreender causas profundas que levam alguma pessoa a agredir ou a ser agredida por meio de palavras. E pode ajudar, ainda, a encontrar as palavras adequadas para a superação da discórdia e para o perdão.
A língua como cosmético é marcada por discurso superficial, que não oferece fundamentos e condições para se pensar as consequências das afirmações. É o discurso que pretende agradar e esconder conflitos, maquiando fatos. A Filosofia pode ajudar também no
Gabarito – Caderno do Aluno Filosofia 3ª série – Volume 1
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questionamento dessa superficialidade, perguntando-se pelas causas e pelos fatores que foram encobertos, dissimulados. Pode ajudar a revelar intenções camufladas.
A língua como remédio pode ser associada aos discursos que ajudam os homens a compreender melhor a si mesmos e aos outros. A psicologia, a arte e a religião podem ser tomadas como áreas que contam com a língua como remédio. A Filosofia pode auxiliar a encontrar o melhor campo para a reflexão. Pode ajudar na colocação de perguntas que levem à compreensão das melhores soluções para diferentes situações.

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